Entrevista a Quinta do Estanho





Hoje não trago uma receita, mas venho mostrar-vos algo que faz parte do que temos de melhor no nosso país; as nossas melhores e mais genuínas empresas que representam o melhor de um povo, o melhor de Portugal.
Refiro-me à Quinta do Estanho, uma empresa de cariz familiar situada na margem do Rio Pinhão que produz vinho do Douro, Porto e bagaceira velha.

Abaixo passo a transcrever na íntegra uma entrevista à Quinta do Estanho que foi publicada na revista Mundo Português no dia 16 de Janeiro deste ano.





FERNANDO CARDOSO - PARTE Da nova geração da «QUINTA DO ESTANHO»


“Queremos ser uma referência na região do Douro”

Andámos pelas encostas cascalhentas e escarpadas do Douro, fazendo as voltas da vinha, à descoberta dessa terra maravilhosa que é o “terroir” onde se estende a Quinta do Estanho.
Do outro lado do rio Pinhão, a Quinta dos Corvos completa este cenário mágico onde brotam dos melhores néctares do Douro, ali para os lados de Cheires.
Fernando Cardoso acompanhou-nos, foi guia e condutor de uma viagem “meio louca” pela encosta abaixo, ora saltando de xisto em xisto, ora adornando nos trilhos enlameados, descobrindo cada pedra, cada cepa e cada sonho.
Às vezes quase deixava de ouvir o meu companheiro
pela “voragem de um susto ou outro” mas sempre deu para ouvir que foi com sangue, suor e lágrimas que os antepassados desbravaram encostas escarpadas, construíram socalcos e plantaram videiras de castas nobres que Deus abençoou. E em boa hora o fizeram, porque é isto a essência do Douro...


Como tem evoluído ao longo dos anos a Quinta do Estanho?
A Quinta do Estanho tem evoluído de uma forma bastante sólida e muito focada no objectivo comum de toda a família que tem objectivos concretos de ser um bom parceiro no Douro, fazendo cada vez melhores vinhos, dignificando a Quinta do Estanho, a nossa família, o concelho de Alijó, a localidade de Cheires e por consequência de toda a região Demarcada do Douro.

Continua a ser uma empresa de grande cariz familiar…
Sem dívida. Todo o nosso núcleo duro é de constituição familiar. Pai, irmã, esposa e eu…

Esta raiz familiar nesta região tão abençoada por Deus, dá aos vinhos alguma característica especial?
Sem dúvida . Confesso que não há região no mundo como o Douro, nem vinhos tão bons como aqueles que aqui se fazem, pelo simples fato de incluir neles este nosso amor e paixão por aquilo que fazemos e pela vontade constante de fazer cada vez melhor.

Quando se abre uma garrafa da Quinta do Estanho o que é que salta lá de dentro? 
Douro em forma de Vinho. Todo o esplendor do Douro. No caso da Quinta do Estanho em particular alguém nos disse, uma vez, falando dos nossos vinhos, que ainda não éramos uma referência e isso teve uma importância fundamental para nós. É que a partir de então trabalhamos arduamente, colheita 
após colheita, precisamente para poder vir a ser uma referência no Douro. Queremos que os consumidores dos nossos vinhos sintam que estão a beber um genuíno vinho do Douro. Um Vinho autêntico. Felizmente temos vindo a conseguir esse objectivo.

O que é que torna o Douro tão especial? Porque não é um vinho fácil?
Ser Douro. Ser um vinho da mais antiga Região Demarcada do Mundo. Constituir em si mesmo uma experiência especial, onde o apreciador, através da prova, sinta também a Região, a tradição, o trabalho... Enfim, sendo parcial, considero que Um bom Vinho do Douro foi, é e será sempre especial… Relativamente a outros vinhos e Regiões podem considerar-se mais complexos, exigentes, diferentes, especiais…

E o futuro do Douro com os problemas que tem até de mão-de-obra com tanta a gente a sair da região? 
Os Durienses estão sempre preparados para as adversidades e por isso o Douro saberá sempre contornar as dificuldades como tem feito até aqui. No entanto no caso da Quinta do Estanho o problema da mão-de-obra já foi pior. Contrariamente ao que aconteceu no passado, os trabalhadores estão mais sensibilizados para as dificuldades e para os deveres associados aos direitos…

A empresa sustenta a sua actividade na Quinta do Estanho, Quinta dos Corvos e ainda noutras de menor dimensão que estão na família já há muitas gerações, mas creio ter sido o seu pai o grande impulsionador da era moderna… 
Sim foi o meu pai que resgatou a Quinta do Estanho que tinha sido de familiares. O meu pai esteve fora (no Brasil) mais de vinte anos, mas sempre manteve a sua ligação com a Quinta e em 1981 regressa. Após alguns anos onde fez vinhos sob encomenda para a Taylor’s, decidiu engarrafar os seus próprios Vinhos, tornando-se em 1987 o segundo produtor engarrafador do Douro.

Quando é que pela primeira vez sentiu correr-lhe no sangue esta ligação à Quinta do Estanho e ao Douro? 
Talvez por volta dos meus seis anos, lembro-me de acompanhar o meu pai às vinhas e aprender com ele. Aqui vivi, aqui fiz a minha formação e portanto acompanhei todo este processo.

Para quantos países vai hoje o vinho da Quinta do Estanho? 
Seguramente mais de vinte, representando em média 40 por cento da facturação.

Desejos para o futuro?
Tornar-mo-mos uma referencia na Região Demarcada do Douro, com Vinhos do Porto e Douro de alta e constante qualidade. Estar entre os melhores Vinhos de Portugal. O nosso princípio é pegar na colheita anterior e fazer melhor…quando não conseguimos, manter. Nunca piorar. Felizmente e a nível geral acho que temos conseguido melhorar. No caso do Porto sempre fomos muito bem conceituados, mas em termos de vinhos do Douro a nossa evolução tem sido notável, com diversos prémios conquistados e referências na imprensa.



QUINTA DO ESTANHO Reserva tinto 2011
Um vinho que está a dar grandes alegrias à empresa



Produtor: Jaime Cardoso
Ano: 2011
Castas: Tinta Rorix 50%, Touriga Nacional, 20%, Touriga Franca 15%, Sousão 15%.
Graduação Alcólica; 15% Vol.
Temperatura a servir; 16º a 18ºC

Notas de prova:
Apresenta um aroma a fruta madura com evidentes notas balsâmicas, características das zonas mais frescas da região. Na boca revela-se elegante, equilibrado e com um final de boca longo e fresco.








JAIME CARDOSO - COM QUEM TUDO COMEÇOU

A Quinta do Estanho consta da primeira Demarcação de Vinhos, “De Feitoria” em 1757. Situa-se na margem esquerda do Rio Pinhão a uma altitude média de 300 metros. Produz vinhos de QUALIDADE há várias gerações. 
Seu proprietário, Jaime Acácio Queiroz Cardoso, em 1987 tornar-se-ia o segundo Produtor – Engarrafador – Exportador de todo o Douro, à custa de muito trabalho e dedicação, seguindo a sua receita para fazer bons vinhos “Com dedicação, amor, motivação, higiene, boa equipe e muito trabalho… partindo das melhores uvas do Douro que conseguimos produzir nas nossas Quintas.”
Jaime Cardoso em boa hora regressou ao “seu Douro” depois de ter vivido vinte anos no Brasil porque a mãe e a avó não o queriam na Guerra de África, por isso fiz dezoito anos a atravessar o Equador por alturas de 1960”. Adorou o Brasil onde encontrou uma gente maravilhosa que o acolheu na perfeição. Foi feliz durante muito tempo mas chegou o momento “em que as minhas raízes e a vontade de regressar ao Douro para construir algo, teve mais força”.
Ao longo dos anos em que esteve no Brasil dedicou-se à advocacia e quando chegou a Portugal também. Gaba-se de nunca ter perdido uma causa, porque sempre agiu criteriosamente de acordo com a sua consciência. Entre as duas atividades, advocacia e vinho, Jaime Cardoso não sabe escolher.
Cada uma ocupa um lugar especial na minha vida”.
Mas agora é o vinho da Quinta do Estanho que lhe ocupa os dias e a paixão, e, por isso não esconde que o seu desejo para o futuro é “poder estar entre os melhores, com alegria, esperança e vontade de seguir em frente”.


Apostando sempre na QUALIDADE dos seus Vinhos, todos elaborados segundo métodos tradicionais com pisagem a pé em lagares de granito c/ curtimenta prolongada e rigorosa selecção de castas, a Quinta do Estanho tornou-se numa das primeiras empresas do sector, lançando em 1987 os Vinhos do Porto 20 Anos e Old White Special. Em 1988, lança o seu primeiro Vinho do Douro. V.Q.P.R.D. Tinto 1985. A crítica não podia ter sido melhor e mais animadora. Motivado pela boa aceitação e com o desejo de expansão, adquiriu em 1990 a Quinta dos Corvos, situada na margem oposta do Rio, com 25 ha e uma Qualidade comprovada dos Vinhos aí produzidos. 
Em 1992 a Quinta aprova o seu primeiro Vintage – 1989, classificado como MUITO BOM pelo I.V.P.. Desde então e dada a QUALIDADE SÓLIDA de seus Vinhos aprovou também os de 1990, 1991, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 e 2000, 2002, 2006. 2008, 2010 e 2012. 
Em 1998, começaram a participar em Concursos de reconhecida credibilidade. tendo sido desde então galardoados com 130 PRÉMIOS de QUALIDADE.